quinta-feira, 3 de abril de 2014

0 Palavras que vem do latim - Professor Sérgio Nogueira

Palavras que vem do latim - Professor Sérgio Nogueira 

Para quem se interessa em querer aprender o desenvolvimento da nossa língua mather. 

Publicado por:
Pastor Ângelo
AS 08:08

quarta-feira, 2 de abril de 2014

2 O CRISTÃO E A PROSPERIDADE

Tenho constatado que esse é um tema bastante controverso no seio da cristandade hodierna. Talvez o que tem gerado um entendimento, ou quem sabe, uma distorção desse tema, seja a malfadada Teologia da Prosperidade, doravante denominada de TP. 

A pergunta que precisamos discutir é, o que é prosperidade bíblica, e o que é prosperidade na TP? Vamos começar do começo, é claro! Prosperidade bíblica tem a ver com as bênçãos de Deus derramadas sobre a vida do seu povo no decorrer da sua relação com eles. Isso pode ser percebido em passagens como Dt. 15.4,5: "Entretanto, não haverá pobre algum no teu meio (pois o SENHOR certamente te abençoará na terra que o SENHOR, teu Deus, te dá por herança para possuíres), desde que ouças com atenção a voz do SENHOR, teu Deus, cuidando para cumprir todo este mandamento que hoje te ordeno". Desde que se respeite o contexto que essa passagem se encontra, uma vez que o verso anterior explica claramente o que o final do verso 5 diz: "cuidando para cumprir todo este mandamento que hoje te ordeno", isso remete ao mandamento do versos 1- 3 que dizem: " No fim de cada sete anos, praticarás o perdão das dívidas. Procederás deste modo: todo credor perdoará o que tiver emprestado ao próximo; nada exigirá do seu próximo ou do seu irmão, pois é proclamado o perdão do SENHOR.  Poderás exigi-lo do estrangeiro, mas tu* perdoarás o que te pertencer e estiver em poder do teu irmão". A prosperidade em tela aqui, está claramente atrelado a duas coisas. Primeiro, é uma prosperidade restrita a terra prometida e ao povo de Deus, desde que eles sejam cumpridores das suas obrigações com os necessitados, pois Dt.15.7,8, fala de forma elucidativa sobre isso: " Quando algum de teus irmãos for pobre, em qualquer das cidades na terra que o SENHOR, teu Deus, te dá, não endurecerás o coração, nem fecharás a mão para teu irmão pobre; pelo contrário, abrirás a mão para ele e certamente lhe emprestarás o que ele precisa, o suficiente para a sua necessidade. Cuidado para que não tenhas pensamento mau no coração e venhas a dizer: Está se aproximando o sétimo ano, o ano do perdão; que o teu olhar não seja maligno para com teu irmão pobre, fazendo com que não lhe dês nada; e ele clame contra ti ao SENHOR, e haja pecado em ti".  Talvez temos aqui uma resposta bem interessante ao verso 25 do salmo 37, "Já fui moço, e agora estou velho; mas nunca vi o justo desamparado, nem seus descendentes a mendigar o pão". Se aceitarmos esse princípio como válido para melhor entendermos o verso 25 do salmo 37, as nossas frustrações serão bem menos causticante, uma vez que há muitos cristãos sinceros, piedosos e tementes a Deus padecendo necessidades extremas. 

 Partindo para os ensinamentos do Novo Testamento, não vemos esse tema sendo trabalhado em profusão, como o temos no Antigo Testamento. Mas algumas passagens são importantes para clarificar o tema. O texto mais emblemático é o de Jesus com o jovem rico relatado pelos evangelhos sinóticos. Em Lc.18.22,23, temos a seguinte mensagem: "[...]  Vende tudo quanto tens, reparte com os pobres e terás um tesouro no céu; depois, vem e segue-me. Mas, ouvindo isso, ele ficou muito triste, porque era muito rico". Somos informados pelo final do verso 23, que foi o apego as riquezas que fez com que o jovem saísse triste. Será que é a partir daí que temos que nos preocupar, que nem sempre riqueza financeira é sinônimo de bênção de Deus, principalmente quando elas são colocadas acima de Deus e do próximo? 
Não quero ser radical ao ponto de dizer que as pessoas por serem ricas financeiramente não vão para o céu, assim como as que são pobres, e principalmente, as que vivem em estado de vulnerabilidade social, herdarão o Reino de Deus. Apenas alerto para o perigo de se fazer associações indevidas com a palavra de Deus! 
Deus pode, e eu acredito que Ele quer isso para os seus filhos, nos fazer pessoas prósperas em muitas áreas da nossa vida. Até porque o seu desejo como vimos em Dt.15.7 é " Entretanto, não haverá pobre algum no teu meio [...]", passagem corroborada pelo profeta Isaías em 1.19, "Se estiverdes prontos a ouvir, comereis o melhor desta terra;", sempre devemos colocar esses textos no campo da aliança da terra prometida, mas que se torna um princípio válido e aplicavél para todas as eras, é o que eu entendo. Desde que as minhas posses, como bênçãos de Deus, sejam compartilhadas com os que tem necessidade! Será que isso é algo recorrente na igreja hoje em dia?

No outro extremo, temos a TP com a sua lamentável postura diante desse tema. Quando analisamos a prosperidade bíblica, frente ao que a TP faz, vemos muitas incongruências com a palavra de Deus. Só para termos uma ideia, há um livro de Edir Macedo intitulado "Aliança com Deus", só o título é bem instigador. Nas páginas 16,17 ele faz uma explanação na tentativa de explicar a atitude desprendida da viúva pobre de Mc.12.44. Assim ele explica a atitude dessa viúva: "[...] Se ela estava dando o seu tudo, é porque, certamente, tinha fé de que o Senhor iria lhe DEVOLVER multiplicado! [...] A viúva revelou a Deus a sua fé, porque se ela não tivesse a certeza de que Aquele a quem estava dando o seu tudo era suficientemente poderoso para suprir todas as suas necessidades, não teria dado nada. Muito pelo contrário, teria pedido!"(ênfase acrescentada). Uau, que interpretação! Por que esse tipo de atitude diante do texto é corroborada por muitos hoje em dia? Talvez, me arrisco a dizer, por causa da vontade de que Deus preencha obrigatoriamente os anseios egoístas dos ofertantes, que ofertam achando que Deus é obrigado a MULTIPLICAR o que eles colocaram no atar. Essa é uma prática que certamente Deus não exige de nós hoje, até porque, Jesus não usou isso como cavalo de batalha para granjear riquezas para si, nem muitos menos fomentar essa prática na vida de ninguém.  

Quero encerrar essa questão aqui, fazendo uso das palavras de Craig Blomberg, registradas no seu livro "Nem Pobreza, Nem Riqueza", que nos ensina como devemos portar diante das bênçãos financeiras que Deus, porventura, venha nos conferir, e sobretudo, no que concerne o perigo de o dinheiro ocupar o nosso coração: "[...] Em nenhum caso, o dinheiro para o ministério - ou a expectativa de remuneração razoável - é condenado. Porém, quando o desejo de recompensa material torna-se uma aliança que pode ser descrita como "amor", passa a ser vergonhoso e causa desgraça" (Nem Pobreza, Nem Riqueza, Ed. Esperança, p.207).  
Não é pecado possuir uma bela mansão, um carro de luxo, conta bancária polpuda e etc, mas se essas coisas ocupam o seu coração e é um alvo que você acha que Deus é obrigado a dar, mediante a sua atitude de ofertante, comece a refletir para ver se você não está sendo levado pela sua viu concupiscência da vida.   
Que Deus nos ajude a fugir das preocupações exacerbadas com as riquezas, ou seja, ao vil metal precioso, pois fazendo assim alguns, como diz o apóstolo Paulo, "e por causa dessa cobiça alguns se desviaram da fé e se torturaram com muitas dores", 1Tm.6.10b.
*AACO

     

Publicado por:
Pastor Ângelo
AS 10:30

sexta-feira, 28 de março de 2014

0 JESUS, O AMOR VERDADEIRO

PREGAÇÃO EM SOLEDADE DIA 23/03/2014 
Texto: Jo.13.1-17 
Int.: “O Evangelho de João tem como finalidade mostrar a divindade de Cristo de forma bastante acentuada. Como diz o comentarista Moody “  Simples na linguagem e estrutura, este livro é, não obstante, uma exposição profunda da pessoa de Cristo colocada em cenário histórico [...]”. E quanto a sua mensagem diz ainda o mesmo comentarista “[...] Tem uma mensagem para o discípulo humilde do Senhor e também para o mais adiantado teólogo”. Quanto ao proposito o próprio livro deixa uma pista bastante elucidativa no capítulo 20.31,32, como diz Moody: “João 20:30, 31 declara construtivamente que foi escrito com a esperança de se criar nos leitores a convicção de que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, para que a vida viesse através da fé nEle”
TEMA: "Jesus, o amor que mostra a diferença”
Quais características em Jesus o qualifica como o amor que mostra diferença?
Vejamos alguns pontos nessa passagem que revelam o quanto Jesus é o amor que mostra a diferença .
I – O seu amor tem duração final e objetiva, v 1
a)   O amor de Cristo foi demonstrado de forma definitiva, cf. Jo. 15.13
b)   O amor de Cristo foi demonstrado por pessoas inúteis como nós, cf. Jo. 7.5; 15.13.
c)   O amor de Cristo foi sacrificial, v 1 “Amou-os até o fim”.  O termo telos aqui remete a ideia de amar até o limite mais insuportável, até a morte. Cf. Jo. 17.23 “eu neles, e tu em mim, para que eles sejam levados à plena unidade, a fim de que o mundo reconheça que me enviaste e os amaste, assim como me amaste”.
II – O SEU AMOR É ALGO PRÁTICO, VV 2-12
a)   Cristo sabia perfeitamente quem ele era e os que o cercavam, v v 2,3. A diferença do amor de Cristo é justamente porque ele amou aqueles que não mereciam o seu amor. Graças a Deus que o seu amor independia do nosso amor por ele, v 2, cf. Jo.15.9; Ef.2.8; 1ª Jo. 4.19
b)   Consciente da sua missão Cristo parte para o exercício do amor, vv 3-5. Cristo não era equivocado quanto o que esperava da sua missão, cf. 3.13,14.
c)   Ter parte no amor de Cristo é ter a convicção de vida eterna, vv 6-11, cf. Jo.3.18, “Quem nele crê não é condenado; mas quem não crê, já está condenado, pois não crê no nome do Filho unigênito de Deus”. É impossível querer a salvação longe do amor de Cristo, pois nele Deus demonstrou a prova do seu infinito amor, cf. Rm. 5.6-8, "Ora, quando ainda éramos fracos, Cristo morreu pelos ímpios no tempo adequado. Porque dificilmente haverá quem morra por um justo; pois talvez alguém até use morrer por quem faz o bem. Mas Deus prova o seu amor para conosco ao ter Cristo morrido por nós quando ainda éramos pecadores".
III – O AMOR DE CRISTO NOS LEGA O EXEMPLO A SER SEGUIDO, VV 12-17.
a)   Após a demonstração de humildade, Cristo aplica-a aos seus discípulos, v 12. O silêncio dos discípulos parece que nos dá a entender que eles não entenderam o exemplo de Cristo. Cristão sem referência não é cristão autêntico.
b)   A atitude de Cristo tinha como objetivo refrear o desejo de poder por parte dos discípulos, vv 13-15, Lucas diz que eles estavam discutindo quem era o maior, cf. 22.24, e também cf. Mt.20.20, temos a mãe de dois deles fazendo um pedido inusitado a Cristo: "Então, a mãe dos filhos de Zebedeu aproximou-se dele com seus filhos, prostrando-se e fazendo-lhe um pedido. Jesus lhe perguntou: Que queres? Ela lhe respondeu: Concede que no teu reino estes meus dois filhos se sentem, um à tua direita, e outro à tua esquerda".
c)   Cristo como exemplo, os discípulos como peças do seu testemunho, vv 16-18. Os discípulos deviam conceber a ideia de que Cristo como Senhor deu o exemplo, eles como agentes responsáveis de reproduzir o exemplo do Mestre.  Tiago diz em 1.22ss que: "Sede praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando a vós mesmos. Pois, se alguém é ouvinte da palavra e não praticante, é semelhante a um homem que contempla o próprio rosto no espelho; porque ele se contempla, vai embora e logo se esquece de como era. Entretanto, aquele que atenta bem para a lei perfeita, a lei da liberdade, e nela persevera, não sendo ouvinte esquecido, mas praticante zeloso, será abençoado no que fizer. Se alguém se considera religioso e não refreia sua língua, engana seu coração, e sua religião é inútil".   
Conclusão:
Não existe prova de amor maior do que a que Deus nos deu, tem até um hino cristão que diz: “Prova de amor maior não há, que doar a vida pelo irmão, eis que eu vos dou o meu novo mandamento: ‘amai-vos uns aos outros como eu vos tenho amado’ vós sereis os meus amigos se seguirdes meu preceito: ‘amai-vos uns aos outros como eu vos tenho amado’”. Portanto, se queremos ser cristãos como sal e luz, o mundo está a nossa espera para brilhar com a glória de Cristo.

Publicado por:
Pastor Ângelo
AS 12:13

0 É PECADO TOCAR NO UNGIDO DO SENHOR?

Não é muito incomum ouvirmos dos crentes, ou até mesmo, pastores para se tornarem imunes, ou quem sabe, vitalício no poder a seguinte expressão,  quando se precisa cobrar alguma prestação de contas de um pastor, ou qualquer pessoa que exerce algum tipo de autoridade eclesiástica: "A Bíblia diz que não devemos tocar no ungido do Senhor" ou então "Deixa ele com Deus, ele pode até está nos enganando, mas vai prestar contas com Deus". É ou não e assim? Lamentavelmente estamos vivenciando o analfabetismo bíblico no seio da cristandade hodierna. Vamos analisar algumas passagens que pode nos ensinar sobre o assunto. Quero começar com o caso, talvez o mais recomendado pelos defensores dessa prática, que é o episódio envolvendo Davi e Saul. Vamos ao texto de I Samuel 24.6: " E disse aos que o seguiam: O SENHOR me guarde de fazer tal coisa ao meu senhor, ao ungido do SENHOR, estender a mão contra ele. Ele é o ungido do SENHOR". Pronto, temos a prova bíblica de que não podemos tocar naqueles que Deus levanta. Outra passagem bastante alusiva a isso é o Sl.115.15: "Não toqueis nos meus ungidos e não maltrateis meus profetas". Mas uma vez, agora com um argumento hermenêutico bastante forte, passagens das Escrituras que se relacionam entre si, defendendo o mesmo princípio. Partindo para a mensagem neotestamentária temos Hb. 13.7,17: "Lembrai-vos dos vossos líderes, que vos pregaram a palavra de Deus; observando-lhes atentamente o resultado da vida, imitai-lhes a fé.  Obedecei a vossos líderes, sendo-lhes submissos, pois eles estão cuidando de vós, como quem há de prestar contas; para que o façam com alegria e não gemendo, pois isso não vos seria útil". Pronto, agora podemos fincar barreira e dizer, é sim pecado tocar nos ungidos do Senhor. Eu afirmo com toda certeza que a coisa não deve jamais ser trilhada nesse viés. Senão, vejamos o que os próprios textos ensinam. O texto de Samuel não pode servir de base para tal ponto de vista, uma vez que o próprio Davi, teve a audácia de cortar parte da orla do manto de Saul, "[...] Então Davi se levantou e, em silêncio, cortou a ponta do manto de Saul" (1Sm. 24.4). Embora depois ele tenha ficado com remorso. O comentário de Wiersbe comenta esse sentimento de Davi da seguinte maneira: "O coração de Davi estava tão sensível que ele se arrependeu abertamente do impulso que o fizera cortar o manto de Saul, pois não demonstrara o respeito adequado ao ungido do Senhor". Mas mesmo assim, a peça que ele havia cortado, foi usada como testemunho de que a vida do seu senhor esteve em suas mãos, mas ele não fez nada que viesse tirar-lhe a vida: "Os teus olhos acabam de ver que o SENHOR hoje te entregou nas minhas mãos nesta caverna; e alguns disseram que eu te matasse, mas a minha mão te poupou; pois eu disse: Não estenderei a mão contra o meu senhor, porque é o ungido do SENHOR. Olha, meu pai. Vê aqui a ponta do teu manto na minha mão, pois eu cortei a ponta do manto, em vez de te matar. Reconhece e vê que não cometi nenhum mal nem transgressão alguma; eu não pequei contra ti, embora andes à minha caça para me tirares a vida. O SENHOR julgue entre nós dois, e o SENHOR me vingue de ti; porém a minha mão não será contra ti", (1Sm.24.10-12). Se atentarmos bem para o texto, vemos que nessa passagem, o que podemos inferir, é tocar no sentido de tirar a vida, e não no sentido de se questionar atitudes erradas. Pois o mesmo Davi disse: "Depois Davi também se levantou e, saindo da caverna, gritou por trás de Saul: Ó rei, meu senhor! Quando Saul olhou para trás, Davi se inclinou com o rosto em terra e lhe fez reverência. Então Davi disse a Saul: Por que dás atenção aos homens que dizem: Davi procura fazer-te mal?", (1Sm.24.8,9, ênfase acrescenta). Atentemos para o que Davi diz, "Por que dás atenção aos homens que dizem: Davi procura fazer-te mal?", será que não temos um princípio de correção aqui? Mas vamos para o próximo texto, Sl.105.15. Diz-nos o texto: "Não toqueis nos meus ungidos e não maltrateis meus profetas", (ênfase acrescentada). Antes de prosseguirmos precisamos responder a pergunta crucial, quem são os ungidos nessa passagem? 
Entender essa pequena questão é crucial para interpretar o verso 15. Se atentarmos para o contexto do próprio salmo, podemos depreender que o termo ungidos paralelo a profetas, tem possivelmente o propósito de indicar os líderes de Israel, e.g., reis, profetas e sacerdotes. E mais uma vez, tocar diz respeito a matar, negar ajuda quando o seu povo está em necessidade. Um caso marcante na peregrinação de Israel, foi quando eles estavam caminhando pelo deserto e os amalequitas os atacaram em Refidim, cf. Êx.178ss, Deus cobrou essa afronta de Amaleque, e por isso prometeu apagar a sua memória de debaixo da terra, v. 14. E por que Deus fez isso? Justamente porque Amaleque atentou contra  vida do seu povo, e não meramente contra um Ungidão qualquer! A identificação de Deus com o seu povo é bem nítida, "Andarei no meio de vós e serei o vosso Deus, e vós sereis o meu povo". (Lv. 26.12, ênfase acrescentada). A história nos ensina que nunca foi um bom negócio lutar contra o povo de Deus!

Para concluir, vamos analisar as passagens de Hebreus. Embora seja difícil determinar autoria, destinatário entre outras coisas, a passagem de Hebreus 13,7,17 diz: "Lembrai-vos dos vossos dirigentes, que vos anunciaram a palavra de Deus. Considerai como terminou a vida deles, e imitai-lhes a fé. Obedecei aos vossos dirigentes, e sede-lhes dóceis; porque velam pessoalmente sobre as vossas almas, e disso prestarão contas. Assim poderão fazê-lo com alegria e não gemendo, o que não vos seria vantajoso" (BJ ênfase acrescentada). O ponto é, há alguma insinuação de obediência a qualquer preço nesses versos? O verso 7 diz que, "imitai-lhes a fé", isso não quer dizer que tudo o que o pastor ou líder venha a fazer deve ser obedecido, o princípio é que, desde que esteja em conformidade com as Escrituras. Diz-nos o comentário Moody: "Na Igreja, especialmente, todas as graças cristãs deveriam ser encontradas. Lembrem-se do exemplo, diz o autor, daqueles que foram os primeiros a lhes ensinar a verdade cristã. Eles eram notados pela apresentação de uma mensagem verdadeira e um exemplo piedoso. Eles falavam a palavra de Deus e viviam vidas santas até o fim de suas vidas na terra". É esse estilo de liderança que deve ser obedecida, até porque o próximo exemplo que o autor vai chamar para corroborar a sua advertência é o próprio exemplo do mestre, v 8, "Jesus Cristo é o mesmo, ontem e hoje; ele o será para a eternidade!". O Comentário NVI vai mais além quando diz: "O autor também dá aos leitores conselhos acerca do bem-estar da Igreja. Ao relembrar a vida de fé dos seus líderes e a maneira em que eles morreram, i.e., o  resultado da vida que tiveram (gr. ekbasis), serão estimulados a imitá-los (v. 7). A Chave Linguística do Novo Testamente diz que "ekbasis" "pode significar 'O fim da vida de uma pessoa' ou, mais provavelmente, "o resultado efetivo de sua vida'". Portanto, não se constitui pecado, quando um determinado líder comente algo passível de correção e a igreja, com mansidão e sabedoria, o chama para que ele receba as devidas advertências necessárias. Outra coisa, não existe pessoa nesse mundo que goze da prerrogativa da inerrância em suas ações. Diz Provérbio 3.35 "A honra é a herança dos sábios, mas os insensatos herdam a ignomínia!". (BJ). 

ATT. Pr. Ângelo André Couto de Oliveira.    


 
  

Publicado por:
Pastor Ângelo
AS 11:56

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

0 RELIGIÃO E POLÍTICA. (COMO ENVOLVER DEUS NESSE NEGÓCIO)

Muitas vezes ouvimos as pessoas discutindo a seguinte expressão: "Política é coisa do diabo e o cristão, se for fiel a Deus, não deve se envolver" e também, "Deus não se envolve em política". De posse desse assunto precisamos esclarecer alguns pontos que cercam esse debate cotidiano. 
O apóstolo Paulo escrevendo a sua carta aos romanos no capítulo treze dos versos um a oito diz:
13.1   Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas.
13.2   De modo que aquele que se opõe à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos condenação.
13.3   Porque os magistrados não são para temor, quando se faz o bem, e sim quando se faz o mal. Queres tu não temer a autoridade? Faze o bem e terás louvor dela,
13.4   visto que a autoridade é ministro de Deus para teu bem. Entretanto, se fizeres o mal, teme; porque não é sem motivo que ela traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal.
13.5   É necessário que lhe estejais sujeitos, não somente por causa do temor da punição, mas também por dever de consciência.
13.6   Por esse motivo, também pagais tributos, porque são ministros de Deus, atendendo, constantemente, a este serviço.
13.7   Pagai a todos o que lhes é devido: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem respeito, respeito; a quem honra, honra.
13.8   A ninguém fiqueis devendo coisa alguma, exceto o amor com que vos ameis uns aos outros; pois quem ama o próximo tem cumprido a lei.
Comentando o que porventura possa ser essas "autoridades governamentais" (NVI) de Romanos 13.1, John Stott defende que "refere-se ao estado, juntamente com seus representantes oficiais". [A Mensagem de Romanos, pp. 410,411]. Portanto, é afirmado na própria palavra de Deus que o crente cristão vive debaixo dessa autoridade constituída pelo próprio Deus. 
O assunto envolvendo "Igreja e Estado", faz parte da história a muito tempo. John Stott comentando sobre isso diz o seguinte: "[...] quatro modelos principais já foram tentados: 'o erastianismo (o estado controla a igreja), a teocracia (a igreja controla o estado, o constantinismo (o compromisso pelo qual se estabelece que o estado favorece a igreja e esta se acomoda ao estado a fim de garantir seus favores) e a parceria (igreja e estado reconhecem e incentivam um ao outro nas distintas responsabilidades dadas por Deus, em espírito de colaboração construtiva)'. [idem].  
O que não podemos deixar de frisar é que embora deva haver um relacionamento entre a igreja e estado, é preciso entender que ambos tem papeis diferentes na sociedade. A igreja como pregadora do evangelho e agente de transformação social e politica também, por que não?,e o estado promotor dos direitos de todos, promotor no sentido de assegurar os direitos que cada ente seu possui. Embora isso não seja uma realidade no nosso Brasil. Ora a igreja querendo se envolver nos assuntos que pertencem ao estado, ora o estado querendo se envolver no que tange o papel da igreja.
Infelizmente por causa da situação dos políticos no cenário nacional e mundial, pois corrupção na política não é produto nacional brasileiro, muitos insistem em dizer "política é coisa do diabo". Não! Nunca foi, e nunca será. Os homens governados pela ganância, intrigas, competição, cheios de si mesmo, amantes dos prazeres e etc, etc, isso sim, é do diabo. 
O que podemos dizer sobre Deus e a política? É claro que acreditamos num Deus que controla todas as coisas, e nada foge ao seu controle soberano, o salmo 139 é uma prova clara do poder de Deus atuando na esfera humana. O apóstolo Paulo escrevendo aos colossenses também afirma "[...]  Nele, tudo subsiste.(Cl.1.27). Se há maus políticos, não é culpa de Deus que os colocou lá, mas sim, escolhas erradas que a maioria faz para constituí-los como autoridades sobre suas vidas.
Certa feita o comandante da polícia de São Paulo, quando indagado sobre a ação contundente dos seus homens para conter as manifestações populares que estavam tomando as ruas cidade , disse: "Se não é para cumprir acordos, não reclame dos resultados". O que podemos inferir disso? Se Deus nos deu condição de escolher entre um determinado político e outro, e nós optamos em escolher aquele que "compra" o nosso voto, por que devemos atribuir a Deus tamanho prejuízo? Pois eles virão, pode ter certeza!      
Afirmo com base nas Escrituras Sagradas que a política é coisa de Deus para os homens. Embora ele não se envolva de forma direta em nenhum processo eleitoral para beneficiar um em detrimento de outro. As autoridades foram constituídas por Deus e elas servem para manter a ordem entre a sociedade. Portanto, na hora de escolher quem vai lhe representar, tenha muito cuidado, e procure orientação de Deus para escolher aquele que tiver interesse em combater a desigualdade social, aumentar os investimentos na saúde, educação e segurança. 
Que bom seria se tivéssemos o nosso país governado por pessoas que verdadeiramente temessem a Deus, que bom seria! Com certeza viveríamos outra realidade. Mas infelizmente vivemos debaixo de uma situação onde impera o oposto da minha utopia, e o que predomina é a corrupção que tem tomado o espaço nos assuntos cotidianos da nossa sociedade. 
Quero encerrar esse assunto citando mais uma vez John Stott: "[...] nós devemos submeter-nos à autoridade que Deus conferiu ao estado; esta, porém, lhe foi dada para propósitos específicos e não totalitários. 'O evangelho é tão inimigo da tirania quanto da anarquia'".  
*PR.AACO


Publicado por:
Pastor Ângelo
AS 10:42

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

0 A voz do povo é a voz de "deus"

Não é difícil ouvirmos alguém abrir a boca e dizer: "A voz do povo é a voz de Deus", dessa vez com "D" maiúsculo mesmo, pois na boca de quem fala, pensa-se que é o Deus da Bíblia. Será que podemos afirmar esse dito popular como verdadeiro, ou podemos aprender algo sobre isso com as Escrituras Sagradas? Eu quero recorrer a uma passagem bastante significativa que pode elucidar a questão, e espero que cause mais entendimento do que confusão. Vamos a passagem bíblica.


  Tendo Samuel envelhecido, constituiu seus filhos por juízes sobre Israel.
O primogênito chamava-se Joel, e o segundo, Abias; e foram juízes em Berseba.
Porém seus filhos não andaram pelos caminhos dele; antes, se inclinaram à avareza, e aceitaram subornos, e perverteram o direito.
Então, os anciãos todos de Israel se congregaram, e vieram a Samuel, a Ramá,
e lhe disseram: Vê, já estás velho, e teus filhos não andam pelos teus caminhos; constitui-nos, pois, agora, um rei sobre nós, para que nos governe, como o têm todas as nações.
Porém esta palavra não agradou a Samuel, quando disseram: Dá-nos um rei, para que nos governe. Então, Samuel orou ao SENHOR.
Disse o SENHOR a Samuel: Atende à voz do povo em tudo quanto te diz, pois não te rejeitou a ti, mas a mim, para eu não reinar sobre ele. (1Sm.8.1-7).

Israel vivia num tipo de governo teocrático, onde quem reinava entre eles era o próprio Deus, sob a supervisão dos profetas. Tendo o profeta envelhecido, o povo começa agora a pedir um rei. Embora a situação dos filhos de Samuel não fosse muito boa, o povo começa a declinar para um afastamento de Deus, sem contudo, calcular o que isso significaria para a nação como um todo. Abrir mão do governo de Deus por um humano, não é um bom negócio!
Deus entendeu claramente que eles não estavam rejeitando ao profeta, mas sim, a Ele mesmo, é o que o verso oito diz: "pois não te rejeitou a ti, mas a mim, para eu não reinar sobre ele.",
O povo nunca é bem decidido nas coisas que quer, o âncora do Jornal do SBT, Joseval Peixoto uma vez disse "A turba nunca foi uma boa conselheira", ora quer uma coisa, ora se revolta com o que queria antes. A Bíblia nos dá bastante exemplos desse tipo de atitudes. Quero citar um exemplo dos mais famosos que temos na história da humanidade, o de Jesus Cristo, que prova claramente que a voz do povo não é a voz de Deus. Em Jo.6.15, a passagem diz: "Sabendo, pois, Jesus que estavam para vir com o intuito de arrebatá-lo para o proclamarem rei, retirou-se novamente, sozinho, para o monte". Estranho que esse mesmo povo que ficara impressionado com os sinais que Jesu fez, ele tinha feito um grande milagre de multiplicação, e o reconhece como profeta, v. 14, assim também quando o saudaram na sua entrada triunfal em Jerusalém com as palavras: "[...] Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor e que é Rei de Israel! Temos fortes indicadores que foram os mesmo que gritaram: "crucifica-o", assim nos diz o evangelista Marcos em 15.13. "Eles, porém, clamavam: Crucifica-o!
15.14 Mas Pilatos lhes disse: Que mal fez ele? E eles gritavam cada vez mais: Crucifica-o"! 
Sinceramente fica difícil depois dessas provas acreditar que a voz do povo é a voz de Deus.
Temos que evitar os enganos da vida, os erros teológicos e ainda afirmações equivocadas acerca da Pessoa de Deus.
Não quero ser intransigente e radical nas minhas colocações, mas espero ter podido contribuir de alguma forma para corrigir determinados conceito equivocados em nome do Criador Legítimo e Real desse Universo.

SOLI DEO GLORIA
#PR. AACO

Publicado por:
Pastor Ângelo
AS 16:02

Previous Page Next Page Home