quarta-feira, 16 de abril de 2014

4 A Triste Sina dos Pregadores do Evangelho da Prosperidade

   
O que acontece com o evangelho, quando ele deixa de ser evangelho, e passa a ser usado ao gosto do freguês? 

      Eu estou lendo algumas literaturas que fogem a meu perfil teológico, mas como me deterei na questão de combater alguns modismos que tem assolado as nossas igrejas, sou obrigado a ler coisas que me chocam bastante. E ao mesmo tempo, me preocupa o fato de determinadas teologias serem disseminadas em muitos púlpitos de igrejas, sem que os ouvintes tenham a perspicácia para tecerem um comentário crítico a tais disparates. Senão analisemos um suposto "sonho" que uma pessoa teve, um homem de negócios, segundo relatado no Livro "Há Poder em suas Palavras" de autoria de Don Gossett, publicado pela Editora Vida, ao se encontrar com ele, Gossett, quando foi cobrar a dívida de um amigo que devia uma soma grande de dinheiro. O sonhador conta para Gossett que, no caminho até a casa do devedor, precisou ficar em uma pousada, e que durante a noite, antes de chegar ao seu destino, teve um sonho, e que sonho!

        Ele sonhou que chegava na casa do seu devedor e que o mesmo o convidaria para fazer um culto matutino, até aí tudo bem, o chocante é que o recepcionista o convida para ler o salmo 23, agora vem a parte principal, o que transcreverei é o conteúdo do sonho que o cobrador teve com relação ao salmo. Passo agora a transcrever o sonho ipsis litteris:



       "O Senhor é o meu banqueiro; nada me faltará. Ele me faz repousar em minas de ouro; Ele me dá a combinação de seu cofre-forte. Ele restaura o meu crédito; ele me mostra como evitar os processos legais por amor do seu nome. Sim, ainda que eu ande pelas sombras das dívidas, não temerei mal algum, porque tu estás comigo; a tua prata e o teu ouro me resgatam. Preparás um caminho para mim na presença dos meus cobradores; enches os meus barris com óleo; minhas medidas transbordam. Certamente a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida e eu negociarei em nome do Senhor" (Há Poder em suas Palavras. Ed. Vida, Miami, Flórida:1990, p.76) Ufa, que coisa, não?!


      É triste constatarmos esse tipo de comportamento diante do texto sagrado e mesmo assim, vermos as pessoas aceitando essas coisas, como se fossem a mais realística das verdades. É preciso uma volta urgente ao evangelho genuíno, uma vez que essas garras estão sendo postas em solo brasileiro de forma profusa. Ou a igreja se pronuncia de forma clara e contundente, ou então, teremos que ceder aos ditames dela, e torná-la ortopraxia para os nossos eclesianos de forma geral. O resultado dessas bizarrices não serão vistos a longo prazo, até porque hoje em dia temos os nossos copastores, ou quem sabe, se não já estamos sendo copastores encenando no palco do obscurantismo, enquanto os televangelístas midiáticos já nos solaparam o nosso lugar.

      Será que somos copastoreados por pessoas da estirpe de Silas Malafaia, Romildo Ribeiro Soares o vulgo missionário R R Soares, Waldemito Santiago, Edir Macedo e et alli? Ou não sendo os seus coadjuvantes aonde eles fazem o papel principal? Depois só não podemos achar que estamos fazendo a coisa certe, quando na verdade estamos nos omitindo na tarefa de ensinar o evangelho puro e simples do mestre, com medo de perder a audiência nos cultos das nossas igrejas.

      Sou taxativamente favorável ao que o Rev. Hernandes Dias Lopes fala em uma das suas pregações, quando ele diz que nós sofremos de dois males. O mal da numerologia, com isso, ele diz que nós nutrimos um apego exacerbado aos números, e por isso, rotulamos a temperatura espiritual da igreja pelo número de pessoas que a frequenta regularmente. O outro mal é o da aversão aos números, com a prerrogativa de que Deus está mais interessado em qualidade do que em quantidade, achamos que não devemos nos preocupar com mais pessoas na igreja. 

     Isso posto, só nos resta lamentar e chorar as nossas falhas no campo teológico. Até porque, embora não em linhas gerais, mas em grande escala, teologia parece que insiste em ser coisa do diabo para muitos crentes e principalmente aqueles que são espirituais e espiritualistas, tal qual os pietistas do séc.XVII. 

    Na esperança de um dia ver a igreja viver o evangelho, insistirei que a pregação da Palavra de Deus a qualquer preço, é mais vantajosa para aqueles que servem verdadeiramente ao Senhor.   

#AACO

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4 comentários:

  1. Ótimo Artigo, bem fundamentado, eivado de "verdades" não irrefutáveis por sinal, mais de verdades, no entanto é preciso lembrar que muitos dos Pastores que adotam essa postura de combate ao que também considero "desvios" da palavra de DEUS, estão exagerando no tempo usado para tal, a ponto de se esquecerem da própria denominação, que tem um bom ensino do Evangelho, mais tem Membros desacompanhados por seu lideres, entregues a própria espiritualidade, cujos pastores se quer os visitam, procura saber como estão, aconselham, doutrinam, visto que estão demasiadamente combatendo os desvios da palavra das outras denominações, mais que não saem da sua zona de conforto para pastorear suas próprias ovelhas, ou sejam, pregam e pastoreiam apenas na TEORIA!!!!!!

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  2. E do mesmo modo que teologias não fundamentadas na palavra, levam seus seguidores a uma visão de certo modo anti Cristã desta, o não acompanhamento das próprias ovelhas, o exagero de teoria e teologia na pregação, o pastoreio teórico e não PRATICO, a observação demasiada das outras denominações em contraponto ao esquecimento de sua própria, também deixa os seus seguidores vulneráveis as influencias de outras teologias, quando não as influencias da propria carne e do mundo como um todo!!!

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  3. Caro pseudônimo Armênio Magno Fonseca, quero em primeiro lugar agradecer pela sua participação nesse blog, uma vez que o mesmo tem como objetivo o debate de ideias, para assim podermos formular melhor nossos posicionamentos frente as demandas da igreja do Senhor.
    Quero apenas lembrá-lo da sua postura e dizer que pelo viés do conteúdo já sei a origem do pensamento. Reitero a você que não sou nenhum menino para fingir que não sei de nada.
    Quanto aos problemas que você elenca, é verdade, infelizmente temos que conviver com esse tipo de pastores teóricos, quando na verdade muitas as pessoas estão na verdade querendo um pai, uma mãe ou quem sabe o próprio Deus ao seu lado para resolver os seus problemas.
    Conheço jovens que frequentam a igreja, mas são frequentadores assíduos de casas de jogos, diga-se de passagem, poker e ainda reclamam do andamento da igreja, da vida espiritual da mesma e pior ainda, se acha no direito de querer rotular a liderança, e no geral, a igreja de toda de omissa.
    Graças a Deus que não tenho assumido esse tipo de comportamento, e Deus sabe disso. Pois nos últimos dias temos feito várias visitas a Picuí, Pedra Lavrada e também no Cardeiro onde temos uma ovelha que por motivo de força maior não pode visitar a casa de oração com frequência. Ainda tivemos essa semana no sítio próximo a cidade de São Vicente, onde fomos resolver problemas de cunho pastoral. Visitamos uma das nossas diaconisas e temos estado sempre presente nas atividades da igreja, onde entendemos que se houver algum problema nos colocamos a disposição para ajudar.
    Isso é apenas um resumo do que estamos fazendo. Agora encerro lembro-lhe que existem pessoas que o pastor pode dar a vida por ela que mesmo assim ele continuará sendo alvo de ataques. Até porque nem Jesus se livrou disso.
    Caminhemos na direção daquilo que glorifica o Senhor. Ah, ia me esquecendo. Continuarei combatendo as heresias enquanto Deus me der condições para isso. Caso contrário, me calarei e me recolherei a minha insignificância.
    Por fim pseudônimo, procure visitar mais igreja e buscar contribuir com o andamento dela, pois boa vontade não vai acrescentar um milímetro ao seu progresso.
    No mais fica com Deus e assuma uma atitude transparência, é mais cristão, caso não esteja me deparando com um, é mais humano.
    Você sabe que é vedado o anonimato.

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